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quinta-feira, 8 de março de 2012

VEJA COMO FOI A EXIBIÇÃO DE MORTE E MORTE DE JOHNNY ZOMBIE NA SESSÃO COMODORO


Ontem, o filme "Morte e Morte de Johnny Zombie" dirigido por Gabriel Carneiro foi exibido na Sessão Comodoro que tem como curador nada mais, nada menos que o grande cineasta Carlos Reichenbach.

O filme conta com a participação de Mariana Zani e Joel Caetano aqui da RZP no elenco!

Joel interpreta Johnny Zombie, o personagem que dá título ao filme!

Foi uma grande noite e o filme foi muito aplaudido pela platéia!

Vejam as fotos:


Parte da equipe reunida

Lucio Reis, Laura Canépa,
Leandro Cesar Caraça, Mariana Zani e eu

Adriana Câmara e Gabriel Carneiro

Galera antes da exibição

Johnny Zombie na tela


Lucio Reis, Laura Canépa, Leandro Cesar Caraça,
Mariana Zani e Rogério Ferraraz


Adriana Câmara e Mariana Zani



sábado, 25 de junho de 2011

RZP NA SESSÃO “A VINGANÇA DOS FILMES B!”

Sábado dia vai rolar em Porto Alegre uma sessão de filmes malditos, e como sempre a RZP não poderia faltar!

A curadoria é do cineasta e ator Cristian Verardi e terá a participação de filmes de Petter Baiestorf, Felipe M. Guerra, Insekto, Felipe Ferreira e Joel Caetano (aqui da RZP), no final, haverá um bate-papo com os diretores!!

Segue release retirado direto de seu blog Cinema Ex-Machina de Cristian Verardi!!!

SESSÃO “A VINGANÇA DOS FILMES B!”

Por Cristian Verardi

Estranha

Sobrevivendo às margens do cinema mainstream, as produções independentes de baixo orçamento, além das óbvias dificuldades financeiras de realização, sempre lutaram contra um sistema de distribuição dominado por monopólios, e por vezes com a incompreensão de um público acostumado a uma estética cinematográfica culturalmente imposta pelos grandes estúdios. Durante anos a falta de um mercado exibidor adequado ocasionou o isolamento destas produções em guetos cinéfilos, o que invés de enfraquecer, auxiliou a reforçar o seu caráter de independência, fomentando uma espécie de cinema orgânico, criativo e livre de amarras impostas pelos padrões mercadológicos, possibilitando tanto a experimentação anárquica como a reprodução antropofágica de conceitos tradicionais do cinema de gênero. Na última década a ascensão das mídias digitais possibilitou o acesso facilitado aos meios de produção e exibição, dando maior visibilidade a obras que até poucos anos atrás estariam restritas a um pequeno grupo de cinéfilos.

Esta breve mostra intenciona levar para a tela da Sala P.F. Gastal um grupo de realizadores que ainda luta bravamente por seu espaço no mercado exibidor, ou simplesmente busca encontrar o seu público. Apesar dos diferentes formatos de linguagem, proposta e produção, as obras selecionadas têm em comum, além do baixo (ou zero) orçamento, o diálogo franco e apaixonado com o cinema de gênero, seja investindo no thriller policial ou no horror, ou anarquizando com a tradição dos westerns e dos musicais, ou até mesmo captando uma simples conversa entre dois cinéfilos embriagados. A exibição na tela de um cinema é uma pequena vingança dos filmes B contra um sistema atrelado aos vícios mercadológicos e estéticos da indústria cultural, ou como diria Petter Baiestorf “um grito de guerra dos que nada tem e tudo fazem, contra os que tudo tem e nada fazem”.

(Cristian Verardi- Curadoria)

Sala P.F. Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro), sábado, 02 de julho, 17h. Após a sessão debate com os realizadores, Petter Baiestorf, Felipe Guerra, Joel Caetano, Filipe Ferreira e Gustavo Insekto. O debate será moderado pela Profa. Dra. Laura Cánepa (UAM). ENTRADA FRANCA.

A VINGANÇA DOS FILME B!

Exorcistas, de Luis Gustavo “Insekto” Vargas (RS, Brasil, 2011, 7 minutos). Com Doutor Insekto e Paulo “Blob” Teixeira.

Dois amigos em uma noite de tédio, bebem, fumam, e elaboram teorias sobre o filme “O Exorcista”, de William Friedkin.

Exorcistas

Extrema Unção, de Felipe Guerra (RS, Brasil, 2010, 19 minutos). Com Rodrigo M. Guerra, Oldina Cerutti do Monte, Leandro Facchini.

Um incauto rapaz se muda para uma casa supostamente assombrada pelo fantasma de uma velha fanática religiosa. (Menção Honrosa “Melhor Susto de Velhinha Fantasma”, no Cinefantasy 2010).

Extrema Unção

Estranha, de Joel Caetano (SP, Brasil, 2011, 12 minutos). Com Mariana Zani, Kika Oliveira, Roberta Rodrigues, Tiago F. Galvão, Walderrama dos Santos.

Duas mulheres em uma estranha e sensual trama de amor, vingança, violência e psicodelia! (Novo trabalho do paulista Joel Caetano, do premiadíssimo curta-metragem “Gato”)

Estranha

Ninguém Deve Morrer, de Petter Baiestorf (SC, Brasil, 2009, 30 minutos). Com Gurcius Gewdner, Lane ABC, Daniel Villa Verde, Jorge Timm, Ljana Carrion, Coffin Souza, Insekto.

Um western musical. Eles cantam, dançam e as vezes matam também! O pistoleiro Ninguém decide largar tudo o que sempre considerou importante: a mulher amada, o grupo de amigos cineastas-assassinos-de- aluguel, e o boi de estimação. No entanto, antes de se redimir precisará enfrentar a fúria de seus antigos comparsas. Mais uma insanidade cinemática de Petter Baiestorf, um dos maiores mitos do underground brasileiro. (Melhor direção no I Guaru Fantástico)

Ninguém Deve Morrer

Os Batedores, de Filipe Ferreira (RS, Brasil, 2008, 20 minutos). Com Marco Soriano Jr., João França, Jack Gerchmann, Artur José Pinto, Jefferson Rachewsky.

Raul, um habilidoso batedor de carteiras é surpreendido pelo retorno à ativa de Amadeu Deodato, um figurão que domina o submundo da cidade e com o qual o tem uma grande dívida. Em sua trajetória na busca de dinheiro para saldar a dívida, Raul se depara com outros marginais, como Odilon, seu antigo mentor, Marcião, um perigoso travesti agiota, e Tosco, um brutamonte psicótico. (Melhor direção no I Festival de Cinema de Ribeirão Pires)

Os Batedores

Fonte: http://cinemaexmachina.wordpress.com/2011/06/24/sessao-a-vincanca-dos-filmes-b/

segunda-feira, 6 de junho de 2011

RZP NO MASTER CLASS TROMA

RZP E TROMA, ENCONTRO ANTOLÓGICO

Esse sábado a RZP esteve no evento MASTER CLASS TROMA, que foi realizado pela Black Vomit de Fernando Rick e Cine Olido, os quais agradecemos imensamente!

SRA. E SR RZP

O MASTER CLASS TROMA é uma aula de cinema independente ministrada pelo divertido e genial presidente da empresa Lloyd Kaufman!

Olha a cara de quem está prestando atenção

Além dessa impressionante aula ele ainda se mostrou umas das pessoas mais entusiasmadas, carismáticas e divertidas que já cruzei! Uma verdadeira inspiração!

Senhoras e senhores o Criador e a Criatura!

Valeu a pena cada minuto do evento (que diga-se de passagem foi muito bem organizado).

Tentando vender os filmes da RZP,
já seguindo as orientações da aula!

Outra coisa boa foi poder rever vários amigos e conhecer pessoas que só mantínhamos contato pela internet!

Felipe Guerra e Patty Fang

A seguir, algumas fotos que tiramos e foram tiradas no evento por amigos como Patty Fang e Ivandro Godoy do Ravens House!!!











sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CINEMA DE BORDAS E RZP NA REVISTA FILME CULTURA

A edição 53 da revista "Filme Cultura" vem com uma matéria especial sobre "Cinema de Bordas", explicando melhor essa terminologia, deixando bem claro a diferença entre um filme de "bordas" e o "trash", que acontece muitas vezes.


Página da revista com fotos dos filmes da RZP

O texto é fala das gerações que os pesquisadores Gelson Santana e Bernadette Lira consideram como "Cineastas de Bordas", que vai desde os filmes mainstream como os dos Trapalhões até o cinema digital sem muitos recursos feito hoje em dia.

Vale a pena conferir, são citados na matéria cineastas como Seu Manoelzinho e Simião Martiniano da velha guarda, Petter Baierstorf, Pepa e Felipe M. Guerra da era VHS (que continuam ativos até hoje) e Rodrigo Aragão (diretor de "Mangue Negro) e Joel Caetano (da RZP) como novos cineastas que já começaram usando recursos digitais em seus filmes.

Segue o link da edição 53 da revista "Filme Cultura":

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

RECEBENDO O HORRESCO REFERENS DO ESPANTOMANIA

Joel Caetano e Ian "Gore" Godoy
Recebendo o Horresco Referens de Melhor Direção

Ontem eu a Mariana e meus amigos Thiago e Roberta, fomos no Shopping Eldorado conferir a pré-estréia do filme "O ritual", uma cortesia do site Boca do Inferno, Rubens Mello e do Ravens House Brasil.

Muito obrigado à todos pela gentileza!

Mariana, Raven e Joel Caetano

Foi muito bom conferir o filme, mas o mais legal foi rever a galera, Felipe M. Guerra, Marcelo Milici, Patty Fang, Rubens Mello, Liz Vamp, Ian "Gore" Godoy, Raven Ravenna, Julio Wong, Douglas Domigues e Adriano Siqueira! Sem contar que fui brevemente apresentado ao Fernando Rick, mais um cineasta o qual já havia visto filmes, mas não conhecia pessoalmente!

Depois da sessão do filme, tive o prazer de receber do Ian "Gore" Gody em pessoa meu "Horresco Referens" de Melhor Direção pelo filme GATO, do Espantomania 2010.

Horresco Referens - Melhor Direção pelo filme GATO

Nós da RZP só temos à agradecer os organizadores e jurados do evento por mais esse prêmio maravilhoso, é mais um orgulho pra nosso grupo!!

Abraço à todos!!!

Joel Caetano

sábado, 27 de novembro de 2010

PARTICIPAÇÃO DE JOEL CAETANO NO FILME "O TORMENTO DE MATHIAS" DE SANDRO DEBIAZZI!

Dia 26/11, Joel Caetano da Recurso Zero Produções fez uma participação no filme "O tormento de Mathias" do diretor e ator Sandro Debiazzi.

Joel representa um médico muito insano com projetos nada ortodoxos para cuidar de doentes mentais!

A gravação da cena foi muito divertida, e ainda contou com o grande Felipe M. Guerra e Augusto, que interpreta nada mais nada menos que Mathias!

O filme deve ficar pronto já no primeiro semestre de 2011 e mistura cenas atuais com cenas que Sandro gravou à quase 20 anos, impressionante!!

Vejam algumas fotos de making das gravações!!!

Joel Caetano, Augusto e Felipe M. Guerra
Examinando Mathias

Sandro Debiazzi, Felipe e Augusto
Cenas externas

Olha a cara dos malucos

Joel Caetano psicótico

domingo, 14 de novembro de 2010

"MINHA ESPOSA É UM ZUMBI" É CITADO COMO UM DOS 5 FILMES MAIS IMPORTANTES PARA ENTENDER O TRASH NACIONAL

O filme "Minha Esposa é um Zumbi (2006)" da RZP foi citado como um dos 5 mais importantes para entender o cenário trash nacional!

É um prazer saber que um filme feito com a intenção de se explorar a temática e estética trash ao máximo (tentamos fazer o pior filme possível) se tornou referência do gênero!

Quem ainda não viu "Minha Esposa é um Zumbi" é só dar play e se deliciar com essa pérola do terror trash nacional!


Minha Esposa é um Zumbi - My Wife is a Zombie

Recurso Zero Producões | Myspace Video


Agora vejam a matéria:


Ataque periférico
Quando se fala em cinema trash no Brasil, o primeiro nome que vem à cabeça é o de José Mojica Marins, criador do famoso personagem Zé do Caixão
| LUÍS GUSTAVO MELO - Estagiário
Foto: reprodução
A Gazeta mostra algumas das peculiaridades desse cinema
Nada como uma verba reduzida para incentivar a criatividade e imprimir punch a uma produção cinematográfica. Divertidos e despojados, os filmes de baixo orçamento sempre contornaram problemas como a precariedade técnica e a falta de recursos na base do improviso, lançando mão de soluções narrativas inusitadas com muita, mais muita inventividade. Os chamados filmes B surgiram em Hollywood em meados de 1930, no período da Grande Depressão. A princípio, essas fitas produzidas a um custo mínimo eram feitas para servir como bônus em sessões duplas – daí o nome.

No entanto, os mais interessantes e icônicos exemplares desse segmento surgiram à margem dos grandes estúdios de Hollywood, em meados da década de 50, em filmes de terror e ficção científica como o clássico Plan 9 From Outer Space (1956) – um monumento do humor involuntário idealizado, escrito e dirigido por Edward D. Wood Jr. (1924-1978), um inepto e apaixonado cineasta que costumava se equiparar a Orson Welles.

‘Cinema de bordas’, uma terminologia
Doutora em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da USP e criadora do termo ‘cinema de bordas’ – usado para identificar um tipo de cinema que se desenvolve às margens da produção cinematográfica institucionalizada –, a pesquisadora Bernadette Lyra analisa o tema apontando os traços mais significativos
dessas produções de baixo orçamento: a espontaneidade e a despretensão.

“Existe muita confusão em torno do termo trash. Na verdade trash diz respeito a uma estética, às vezes, propositalmente ‘suja’. Nem sempre os filmes de baixo orçamento são produzidos para atender esteticamente esse perfil. Mas os realizadores de bordas não se incomodam quando seus filmes recebem tal denominação. Se há uma estética dominante nas produções de bordas é que todas elas, embora sejam particulares e diferentes, têm como característica comum o uso feito em segunda mão dos gêneros cinematográficos”, observa Bernadette Lyra, em entrevista por e-mail à Gazeta.

De um jeito ou de outro, a produção continua

Para que se entenda melhor esse cenário, é preciso ressaltar que o surgimento de ferramentas como o YouTube, somado ao barateamento das câmeras digitais, aceleraram, e muito, o processo de democratização da produção audiovisual. Porém, o fato desses realizadores periféricos lidarem com gêneros ‘estrangeiros’ num país em que a instituição cinematográfica oficial foi construída por uma elite intelectualizada – que renegava qualquer influência hollywoodiana – levou a uma situação perversa: não foi senão com desprezo que os eruditos acolheram essa expressão.

É o que pensa Enderson Nobre: “Criou-se um mito de que tudo que é popular é baixa cultura. O Brasil tem mania de fazer cinema com sociologia – isso não sou eu que estou dizendo, visto que quem procura sair desse paradigma é vítima de preconceitos e acusações por parte da própria classe de realizadores. Aqui em Alagoas a coisa não é diferente: existe uma tendência no estado de restringir o cinema ao documentário.

Mas o cinema alagoano não se restringe apenas a esse olhar. Tem gente fazendo cinema ficcional aqui, que geralmente não é visto com bons olhos por parte da crítica e do meio”.

UM TOP 5 DEMOLIDOR

Cinco filmes para você entender o cinema trash nacional

ENTREI EM PÂNICO AO SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NA SEXTA-FEIRA 13 DO VERÃO PASSADO
Direção: Felipe M. Guerra
Ano de produção: 2001
Duração: 83 min.
Sinopse: a cidade de Carlos Barbosa está em pânico. Um assassino mascarado está fazendo vítimas. Ninguém está livre de seus ataques violentos, principalmente um grupo de jovens que decide fazer uma festa regada a muita bebida e música... O filme é uma sátira/homenagem aos filmes de horror adolescentes dos anos 90 que, por sua vez, resgatavam um subgênero do horror muito popular nos anos 80: o slasher, caracterizado pela presença de psicopatas que matam adolescentes em série.

MAMILOS EM CHAMAS
Direção: Gurcius Gewdner
Ano de produção: 2008
Duração: 60 min.
Sinopse: a saga do homem que trocou o ritmo alucinante da noite pela alegria do amor. Poderá este homem aceitar o passado negro de sua amada e ajudá-la a recuperar seu pobre filho das mãos de malignos malfeitores?

ZOMBIO
Direção: Petter Baierstorf
Ano de produção: 1999
Duração: 45 min.
Sinopse: um casal a fim de diversão chega a uma ilha paradisíaca e logo descobre que o lugar não é tão deserto quanto imaginava. Hordas de mortos-vivos sedentos de sangue, liderados por uma bela sacerdotisa, partem para cima dos namorados, que empreendem uma fuga desesperada mata adentro.

MINHA ESPOSA É UM ZUMBI
Direção: Joel Caetano
Ano de produção: 2006
Duração: 24 min.
Sinopse: determinado a revigorar seu desempenho sexual, o faxineiro de um laboratório rouba poção inventada por cientista. Inadvertidamente, sua esposa ingere a tal bebida, que produz um terrível efeito colateral.

CANIBAIS & SOLIDÃO
Direção: Felipe M. Guerra
Ano de produção: 2006
Duração: 100 min.
Sinopse: ainda virgem aos 18 anos, Rodrigo passa suas noites entre ‘canibais e solidão’: vendo sangrentos filmes de canibalismo e sonhando com um grande amor. Aliado aos seus amigos Eliseu e Marcelo, ele busca os conselhos de um rapaz mais experiente em pegar garotas. Será que vai dar certo?

FONTE: http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=173085&ass=8&data=2010-10-30

domingo, 16 de maio de 2010

RZP NO METRÓPOLIS DA TV CULTURA


Matéria sobre a Mostra de Cinema de Bordas, com entrevistas com Joel Caetano (diretor do filme "GATO"), Mariana Zani e Ivete Zani da Recurso Zero Produções e Lins Marins, que dirigiu o filme "Aparências". Com trechos dos filmes "Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado" de Felipe M. Guerra, "ChupaCabras" de Rodrigo Aragão e CyberDoom de Igor Simões de Alonso.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

CINEMA DE BORDAS - JOEL CAETANO, FELIPE GUERRA E PETTER BAIERSTORF NO JORNAL DA GAZETA

Cinema de BORDAS NA ÉPOCA ONLINE

Cinema de Bordas reúne diretores de filmes B

Mostra do Itaú Cultural exibe filmes de baixo orçamento que flertam com terror, ficção científica, seres fantásticos e não têm pretensões comerciais
por Patrícia Agusti

Uma legião formada por uma bruxa, um chupa-cabra, um médico legista psicopata, um assassino munido de serra elétrica e outros personagens fantásticos invade o Itaú Cultural entre os dias 21 e 25 de abril, na segunda edição do Cinema de Bordas. Como o próprio nome indica, a mostra engloba produções de baixo orçamento. Segundo o curador Gelson Santana existem espalhados pelo Brasil filmes em VHS, HD e Super-8 que estão à margem da produção oficial. “São envolvidos gêneros desde o faroeste até o terror e não há preocupação em ser algo esmerado, correto, em ter um roteiro que seja coerente. Existe um fazer muito mais por prazer do que o interesse comercial. Tem todo um lado lúdico”, completa.

Engana-se, contudo, quem espera ver filmagens sem qualidade ou com efeitos especiais toscos. Apesar da aura trash, grande parte das produções é beneficiada pela alta tecnologia de câmeras digitais e computadores, além da criatividade de seus idealizadores. Gelson Santana chama de “terceira geração do cinema de bordas” os diretores que voltam suas produções para a veiculação pela internet.Chupa-cabras, de Rodrigo Aragão, está na programação da mostra e é um belo exemplo disso: elaborado com um orçamento de R$ 300, conta a saga de um homem para fugir de uma criatura bizarra que suga o sangue de suas vítimas. “Foi feito para não dar trabalho, só tem um personagem, não tem diálogos. Filmamos em três dias e o montei num computador emprestado”, explica Aragão. Mesmo feito de maneira despretensiosa, o curta ganhou alguns prêmios e virou sucesso no Youtube.

Nascido em uma aldeia de pescadores em Guarapari, no Espírito Santo, ele roda seus filmes em meio a uma rica paisagem e conta com a ajuda de amigos, responsáveis por integrar o elenco e operar equipamentos. Sua pretensão é passar para a tela “as muitas historias, lendas e o imaginário muito rico (da região). Quero resgatar tudo isso de uma maneira fantasiosa”. No momento, o diretor prepara-se para transformar o curta Chupa-Cabras em um longa: A Noite dos Chupa-Cabras. “A minha ideia é fazer uma trilogia. O primeiro foi Mangue Negro (2008), o segundo será esse, situado nas montanhas. Já o terceiro será (rodado) no litoral”, esclarece.

Além de apresentar ao público os filmes, os festivais também permitem a troca de experiências e favores entre diretores. O segundo longa de Aragão terá a participação de Joel Caetano, diretor que fará a vez de ator na produção. “Estamos presentes nos projetos uns dos outros”, diz Caetano que participa do Cinema de Bordas com Gato, primeiro lugar no júri popular do Cinefantasy de 2009. No enredo do curta – que custou cerca de R$ 800 – um homem deprimido e rejeitado pela família compra um bicho de estimação, passando a ter uma interação estranha com ele e seus vizinhos. “É a história de um homem, um gato e muito sangue”, resume o diretor.

Caetano administra a Recurso Zero Produções e já rodou dois pequenos sucessos: Minha Esposa é um Zumbi e Junho Sangrento, ambos vencedores pelo júri popular do Festival de Cinema Fantástico de Ilha Comprida em 2006 e 2007. Para ele, no terror é possível fazer efeitos de qualidade com pouco dinheiro: “Peter Jackson, Spielberg, entre outros começaram com filmes trash. É uma porta de entrada para aprender e experimentar”. Sempre com um orçamento apertado, Caetano resolveu tomar uma atitude inusitada: “Eu e minha mulher (Mariana Zani, sócia da produtora) decidimos convidar meus sogros, que faziam teatro nos anos 70, para fazer os curtas com a gente”.

Apesar da maioria dos diretores do Cinema de Bordas fazer uso da tecnologia digital, há quem ande na contramão dessa moda. Marcos Bertoni, criador do curtaDoutor Ekard, monta suas produções reciclando trechos de filmes antigos - até 1985, gravava em Super-8. Após 15 anos, fundou o que chama de Movimento Dogma 2002, uma maneira de reutilizar material e recriar roteiros a custo zero. “Basta ter um pouco de fita adesiva transparente para fazer as emendas, que são físicas. Não tem nada feito no computador”. Para dublar as novas falas no lugar das antigas, ele utiliza “um microfone de plástico simplório” de um projetor sonoro Super-8, película que conta com uma banda magnética onde o som é impresso “como se fosse uma fita de gravador”.




O roteiro que será exibido na mostra é sobre um médico que monta uma palestra envolvendo parapsicologia, mas na verdade quer apenas obter vantagens pessoais. Segundo Bertoni sua produção é “totalmente fora de moda. A única coisa digital é a cópia que vai passar no dia (de exibição), que foi feita no laboratório. Custou caríssimos R$ 150!”.

Confira a programação completa aqui

Cinema de Bordas. Itaú Cultural: Av. Paulista, 149, metrô Brigadeiro, 2168-1776. De quarta (21/4) a domingo (25/4). Grátis (entradas distribuídas com meia hora de antecedência).

FONTE: http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI134803-16296,00.html